Homem finge mal-estar e usa ambulância como carona para ir ao bar
Um homem foi flagrado utilizando uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) como transporte gratuito para ir a um bar, na noite do último sábado (14), no centro de São Paulo. O caso viralizou nas redes sociais após o registro das câmeras de segurança e relatos dos profissionais envolvidos.
Segundo testemunhas, o homem ligou para o número de emergência alegando fortes dores no peito e dificuldade para respirar. Uma equipe foi enviada ao local. Ao chegar, os paramédicos encontraram o indivíduo aparentemente tranquilo e, após avaliação inicial, não identificaram sinais de emergência médica. O homem insistiu que precisava ser levado ao hospital. Durante o trajeto, ele surpreendeu os socorristas ao pedir para ser deixado em frente a um bar conhecido na região central.
A equipe tentou argumentar, mas diante da recusa do passageiro em sair do veículo, decidiram conduzi-lo até a delegacia mais próxima. O delegado plantonista registrou um boletim de ocorrência por uso indevido do serviço de emergência e falsa comunicação de crime. O homem foi liberado após prestar esclarecimentos, mas pode responder a processo administrativo e pagar multa que varia de R$ 1.000 a R$ 10.000, além de ter que arcar com os custos operacionais da ambulância.
Casos como esse são mais comuns do que se imagina. De acordo com dados do SAMU, cerca de 5% das chamadas são falsas ou sem necessidade real, o que sobrecarrega o sistema e pode atrasar o atendimento a quem realmente precisa. A população pode denunciar abusos contra serviços públicos de emergência por meio do disque 190 ou diretamente nas ouvidorias municipais.
Reação dos profissionais e das autoridades
Em entrevista, o secretário municipal de Saúde classificou o episódio como “inaceitável” e prometeu reforçar as campanhas de conscientização sobre o uso correto do SAMU. “Cada minuto perdido com um falso chamado pode custar uma vida”, afirmou.
O sindicato dos profissionais de emergência também se manifestou, pedindo punições mais severas para casos de má-fé. “Nossos profissionais são treinados para salvar vidas, não para servir de motorista para quem quer economizar uma corrida de aplicativo”, disse o representante.
O que diz a lei
No Brasil, ligar falsamente para a emergência configura crime previsto no artigo 266 do Código Penal, com pena de detenção de um a seis meses ou multa. Além disso, o infrator pode ser responsabilizado pelos custos do deslocamento da equipe. A legislação estadual pode prever multas ainda mais altas.
Casos semelhantes e impacto no sistema público
Episódios de má utilização do SAMU não são isolados. Em 2024, a Central de Regulação de São Paulo registrou mais de 30 mil ocorrências classificadas como trote ou abuso. Especialistas alertam que cada deslocamento desnecessário custa, em média, R$ 400 aos cofres públicos, sem contar o risco de sobrecarregar as equipes que poderiam estar atendendo emergências reais.
O bar onde o homem pediu para ser deixado fica na região da República, conhecida pela vida noturna. Câmeras de segurança filmaram toda a abordagem e o momento em que o homem desceu da ambulância visivelmente tranquilo. O vídeo foi amplamente compartilhado em redes sociais como Twitter e WhatsApp, gerando memes e indignação.
Como evitar abusos
Especialistas recomendam que a população utilize o número 192 (SAMU) apenas em situações reais de urgência. Em caso de dúvida, é melhor buscar atendimento em unidades básicas de saúde. Denúncias de uso indevido podem ser feitas anonimamente à ouvidoria do SUS pelo telefone 136 ou pela internet.
Perguntas frequentes
O que caracteriza uso indevido de ambulância?
Qualquer chamada falsa ou utilização do veículo para fins alheios à emergência médica, como transporte pessoal sem justificativa.
Qual a penalidade para falso chamado?
Multa de R$ 1.000 a R$ 10.000, além de possível detenção de um a seis meses com base no artigo 266 do Código Penal. O infrator ainda pode ser obrigado a ressarcir o serviço público.
Como denunciar abusos?
Ligue para 190 (Polícia Militar) ou para a ouvidoria do SUS (136). A denúncia pode ser anônima.
O que fazer se presenciar uma situação semelhante?
Registre o ocorrido e acione as autoridades. Não tente intervir diretamente.
O episódio serve como alerta para a importância de preservar os recursos públicos. Leia mais sobre justiça e notícias do Brasil.