Gestão Tarcísio tenta mudar carreira de pesquisador, mas categoria protesta
O governo do estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, apresentou uma proposta de reestruturação da carreira de pesquisador científico. A medida, que altera regras de progressão e remuneração, gerou forte reação de associações e sindicatos da categoria, que organizam protestos e criticam o que consideram um desmonte da pesquisa pública.
O que muda na carreira?
De acordo com o projeto encaminhado pelo governo, os pesquisadores teriam que cumprir novas exigências para avançar na carreira, como publicação em periódicos de alto impacto e captação de recursos. Além disso, a proposta prevê a criação de níveis intermediários e a possibilidade de perda de gratificações caso metas não sejam atingidas. A progressão por tempo de serviço deixaria de ser automática, passando a depender de avaliações de desempenho mais rigorosas.
Outro ponto polêmico é a exigência de que parte do salário seja atrelada a projetos específicos, o que, na visão dos críticos, gera instabilidade e precariza o trabalho científico. O governo argumenta que as mudanças visam modernizar a carreira e aumentar a produtividade, alinhando o estado a padrões internacionais.
Reação da categoria
Associações de pesquisadores e sindicatos convocaram protestos em frente à Assembleia Legislativa e nas principais universidades paulistas. Em manifestações, a categoria classificou a proposta como um ataque à ciência e alertou para o risco de evasão de cérebros. “Os pesquisadores são responsáveis por avanços na saúde, agricultura e tecnologia. Desestruturar essa carreira é jogar fora décadas de investimento”, afirmam representantes. A mobilização também ocorre nas redes sociais, com abaixo-assinados e pressão sobre deputados estaduais.
Impactos na pesquisa
Especialistas apontam que a reestruturação pode afetar programas de pós-graduação, parcerias internacionais e a capacidade de atrair jovens talentos. Sem estabilidade e com salários atrelados a metas de curto prazo, a pesquisa de longo prazo – como a desenvolvida no Instituto Butantan e no Instituto de Pesquisas Tecnológicas – pode ser comprometida. O governo, por sua vez, defende que a medida é necessária para ajustar as contas e garantir eficiência, e que a economia gerada será reinvestida em infraestrutura de pesquisa.
Próximos passos
O projeto tramita em regime de urgência na Alesp e deve ser votado nas próximas semanas. A categoria promete intensificar a pressão sobre os deputados. A expectativa é que o texto sofra alterações durante a negociação, mas o clima é de tensão nos institutos de pesquisa.
Principais pontos da proposta
- Progressão por mérito e metas, não mais automática
- Atrelamento de gratificações a projetos específicos
- Criação de níveis intermediários na carreira
- Avaliações de desempenho anuais
- Possibilidade de perda de benefícios por baixa produtividade