Justiça condena Gloria Pires a pagar R$ 560 mil a ex-cozinheira
A Justiça do Trabalho condenou a atriz Gloria Pires ao pagamento de R$ 560 mil a uma ex-cozinheira que trabalhou em sua residência. A decisão, proferida pela Vara do Trabalho de São Paulo, determina o pagamento de verbas rescisórias, horas extras e indenização por danos morais.
A ação foi ajuizada pela profissional, que alegou ter trabalhado por cerca de cinco anos na casa da artista sem registro em carteira e com jornada excessiva, sem receber horas extras. A perícia judicial confirmou as alegações, levando a juíza a acolher integralmente os pedidos.
A defesa de Gloria Pires já anunciou que irá recorrer. O advogado da atriz sustenta que a relação trabalhista foi regular e que a sentença será modificada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Este caso reacende o debate sobre os direitos dos empregados domésticos no Brasil. Apesar dos avanços da Emenda Constitucional 72/2013, que garantiu FGTS, horas extras, seguro-desemprego e outros direitos, muitos trabalhadores ainda enfrentam condições informais. As reclamações trabalhistas de ex-funcionários de pessoas de alto poder aquisitivo têm se tornado mais frequentes.
O número de ações trabalhistas na área doméstica cresceu nos últimos anos, segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho. Especialistas apontam que a conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos e o acesso à Justiça são fatores que explicam esse aumento.
O valor da condenação, R$ 560 mil, inclui salários atrasados, férias proporcionais, 13º salário, FGTS com multa de 40%, horas extras e indenização por danos morais. A ex-cozinheira, que não quis se identificar, afirmou que espera receber os valores para recomeçar a vida. O recurso deve ser julgado nos próximos meses, e ainda cabem recursos superiores.
Gloria Pires, 61 anos, tem uma carreira consolidada na televisão e no cinema, com papéis em novelas de grande audiência como "Vale Tudo", "Mulheres de Areia" e "A Favorita". Embora a condenação não afete sua trajetória artística, ela serve como um alerta para a formalização de vínculos de trabalho doméstico.
A decisão ainda pode ser revertida, mas o caso já contribui para o debate sobre responsabilidades trabalhistas no país.