General Braga Netto pede a Alexandre de Moraes para deixar prisão
O ex-ministro e general da reserva Walter Braga Netto protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de revogação da prisão preventiva. O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado. A defesa do general argumenta que não há motivos para mantê-lo preso e que a medida é desproporcional.
Braga Netto está detido desde o final de 2024, quando a Polícia Federal cumpriu mandado de prisão autorizado pelo STF. Ele é acusado de envolvimento em um plano para desestabilizar o regime democrático. Os advogados do militar negam as acusações e afirmam que ele sempre agiu dentro da lei. O general foi candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022 e exerceu os cargos de ministro da Defesa e da Casa Civil, o que, segundo a defesa, demonstra sua trajetória de respeito às instituições.
A defesa sustenta que Braga Netto não representa risco à ordem pública nem à instrução criminal. O pedido ressalta que o general tem mais de 70 anos, é réu primário e sempre colaborou com as investigações. A prisão preventiva, segundo os advogados, é uma medida extrema que não se justifica no caso. Eles sugerem a aplicação de medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados.
O caso tem grande repercussão política. Parlamentares da oposição criticam a prisão e a classificam como perseguição política. Já aliados do governo Lula defendem a atuação do STF e da Polícia Federal. A polarização em torno do processo reflete o ambiente político conturbado do país. Especialistas em direito penal divergem sobre a legalidade da custódia, com alguns apontando que o STF tem baseado suas decisões na gravidade concreta dos atos, enquanto outros veem a prisão como desnecessária.
Alexandre de Moraes, que já negou outros pedidos de liberdade a Braga Netto, deve analisar o novo requerimento nas próximas semanas. O ministro costuma fundamentar suas decisões na gravidade dos fatos e na necessidade de garantir a continuidade das investigações. A defesa aposta que, com o avanço das apurações, o STF possa rever a necessidade da prisão. Caso o pedido seja negado, a defesa pode recorrer ao plenário do STF ou apresentar um habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Enquanto aguarda a decisão, Braga Netto permanece recolhido no Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro. Seu estado de saúde, segundo a defesa, é estável, mas a permanência na prisão tem causado desgaste físico e emocional. Familiares do general também têm se manifestado publicamente pedindo sua soltura.
O pedido de revogação da prisão de Braga Netto é mais um capítulo na complexa trama jurídica e política que envolve as investigações sobre tentativa de golpe no Brasil. A decisão de Moraes poderá ter impacto não apenas no caso do general, mas também em outros processos semelhantes em andamento no STF. O caso segue gerando debates e deve continuar no centro das atenções da opinião pública.
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