"Cansaço da polarização Lula x Bolsonaro", diz CEO da Quaest
O CEO da Quaest, Felipe Nunes, declarou que os eleitores brasileiros estão exaustos com a polarização entre Lula e Bolsonaro. Em entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou que o sentimento de cansaço é generalizado e aparece em diversas pesquisas realizadas pelo instituto. "As pessoas querem discutir temas concretos, como economia, saúde e educação, e não o embate constante entre os dois campos", afirmou.
Segundo Nunes, a polarização ainda é forte, mas há um movimento crescente de eleitores que se identificam como "nem Lula, nem Bolsonaro". Esse grupo, chamado de "terceira via", tem ganhado força nos últimos anos, embora ainda não tenha conseguido se consolidar como alternativa viável. O CEO destacou que, para as próximas eleições, será essencial construir uma narrativa que vá além do confronto.
A pesquisa Quaest mais recente mostrou que cerca de 40% dos eleitores consideram a polarização prejudicial para o país. Entre os jovens, o índice é ainda maior. O cansaço com a política tradicional é um fenômeno global, mas no Brasil ele se manifesta com intensidade devido ao histórico recente de crises institucionais e embates nas redes sociais.
Especialistas em ciência política alertam que o desgaste com a polarização pode levar ao aumento da abstenção e do voto nulo, caso não surja uma opção que mobilize os descontentes. Por outro lado, também pode beneficiar candidatos que se apresentem como moderados ou renovadores.
A declaração do CEO da Quaest ocorre em um momento de preparação para as eleições municipais, que devem servir como termômetro para o cenário nacional. A expectativa é que o tema da polarização continue dominando o debate, mas com nuances que reflitam o desejo de mudança expresso por parte do eleitorado.
Ao final, Felipe Nunes ressaltou que a Quaest continuará monitorando a opinião pública para captar essas tendências. "O importante é ouvir o que as pessoas realmente pensam, sem filtros partidários", concluiu.